Oração diária, Domingo de Ramos - Mc 15,1-39

14 de abril de 2019

ORAÇÃO DO DIA

Pai, ajuda-me a descobrir, na morte de Jesus, um testemunho consumado de sua liberdade, e de fidelidade a ti e ao teu Reino.

PRIMEIRA LEITURA: Is 50,4-7

Leitura do Livro do profeta Isaías

– 4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.

  • Palavra do Senhor.
    – Graças a Deus.

SALMO 21(22)

          — Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

— Riem de mim todos aqueles que me vêem,/ torcem os lábios e sacodem a cabeça:/ “Ao Senhor se confiou, ele o liberte/ e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”

— Cães numerosos me rodeiam furiosos,/ e por um bando de malvados fui cercado./ Transpassaram minhas mãos e meus pés/ e eu posso contar todos os meus ossos.

— Eles repartem entre si as minhas vestes/ e sorteiam entre si a minha túnica./ Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe,/ ó minha força, vinde logo em meu socorro!

— Anunciarei o vosso nome a meus irmãos/ e no meio da assembléia hei de louvar-vos!/ Vós, que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores,/ glorificai-o, descendentes de Jacó,/ e respeitai-o, toda a raça de Israel

SEGUNDA LEITURA: Fl 2,6-11

Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses

– 6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o e altou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor”, para a glória de Deus Pai.

  • Palavra do Senhor.
    – Graças a Deus.

EVANGELHO: Lc 23,1-49

N (Narrador): Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos. 2Começaram então a acusá-lo, dizendo:

G (Grupo ou assembleia): Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o rei.

N: 3Pilatos o interrogou:

L (Leitor): Tu és o rei dos judeus?

N: Jesus respondeu, declarando:

P (Presidente): Tu o dizes!

N: 4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão:

L: Não encontro neste homem nenhum crime.

N: 5Eles, porém, insistiam:

G: Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui.

N: 6Quando ouviu isso, Pilatos perguntou:

L: Este homem é galileu?

N: 7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu. 10Os sumos sacerdotes e os mestres da lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos. 13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo e lhes disse:

L: 14Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei.

N: [17]18Toda a multidão começou a gritar:

G: Fora com ele! Solta-nos Barrabás!

N: 19Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. 20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritavam:

G: Crucifica-o! Crucifica-o!

N: 22E Pilatos falou pela terceira vez:

L: Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei.

N: 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam – aquele que fora preso por revolta e homicídio – e entregou Jesus à vontade deles. 26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse:

P: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: “Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram”. 30Então começarão a pedir às montanhas: “Caí sobre nós!” e às colinas: “Escondei-nos!” 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca?

N: 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus. 33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia:

P: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!

N: Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. 35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo:

G: A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo se, de fato, é o Cristo de Deus, o escolhido!

N: 36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre 37e diziam:

G: Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!

N: 38Acima dele havia um letreiro: “Este é o rei dos judeus”. 39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo:

L: Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!

N: 40Mas o outro o repreendeu, dizendo:

L: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal.

N: 42E acrescentou:

L: Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reinado.

N: 43Jesus lhe respondeu:

P: Em verdade eu te digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso.

N: 44Já era mais ou menos meio-dia, e uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde, 45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito:

P: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito.

N: Dizendo isso, expirou.

Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.

N: 47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo:

L: De fato! Este homem era justo!

N: 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, ficaram a distância, olhando essas coisas.

  • Palavra da Salvação
    – Glória a vós Senhor.

Comentário do Evangelho

“A única realeza que Jesus aceita é a da cruz. Os evangelhos recordarão, então, a inscrição sobre a cruz: ‘Jesus de Nazaré, rei dos judeus’ (Mt 27,37; Mc 15,26; Lc 23,38; Jo 19,19-22). A partir da cruz, sobre o título de rei, não paira nenhuma ambiguidade, pois a realeza de Jesus é o serviço até a entrega radical da própria vida, como ato de amor supremo. Jesus, Rei do universo, inaugura um modo de vida que não admite o gosto do poder, tal qual ‘as nações’ o compreendem. As três interpelações dos que zombavam de Jesus (vv. 35.37.39) lembram as interpelações do relato das tentações (cf. Lc 4,1­-13). Isto pode nos fazer compreender que a cruz do Senhor é o lugar da tentação suprema que ele vence: ‘Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito’ (23,46). No relato das tentações como na paixão, a tentação é a mesma: usar o poder em benefício próprio, usar da condição de Filho de Deus e de Messias para si mesmo. O silêncio do Senhor sobre a cruz ante as interpelações e zombarias é expressão de sua rejeição de todo poder mundano que o desviasse de realizar a vontade do Pai. A cruz é o lugar em que se exerce a realeza tipicamente jesuânica: o poder de salvar, de dar a vida. À súplica do malfeitor: ‘… lembra-­te de mim, quando começares a reinar’ (v. 42), Jesus responde: ‘… hoje estarás comigo no Paraíso’ (v. 43; cf. Lc 4,21).

Carlos Alberto Contieri, sj, ‘A Bíblia dia a dia’, Paulinas

LEITURA ORANTE

Oração Inicial
Neste Domingo de Ramos, acompanhamos Jesus na subida para Jerusalém. Acolhamos a Palavra para o nosso dia e deixemo-nos penetrar pelo mistério redentor do Senhor que deu a vida por cada um de nós.
Peçamos esta graça no início da nossa oração, rezando: “Jesus Mestre, cremos com viva fé que estais aqui presente, para indicar-nos o caminho que leva ao Pai. Iluminai nossa mente, movei nosso coração, para que esta meditação produza em nós frutos de vida. Amém.”

Leitura (Verdade)
Leia o texto atentamente e procure situá-lo no contexto litúrgico que estamos vivendo. Faça uma segunda leitura e destaque as palavras que mais chamaram sua atenção.
“Os que conheceram Jesus de perto viram que ele não era apenas um homem extraordinário ou o Messias escolhido. Ele é de fato a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura, que em tudo tem a primazia. No entanto, naquela tarde, crucificaram Jesus e zombaram dele. Não é nada agradável ser objeto de zombaria. A zombaria dos principais entre os judeus foi feita em termos judaicos: ‘Ele é o Messias, o Cristo de Deus, o Escolhido! Então, que salve a si mesmo já que salvou a outros!’ Os chefes do povo sabem e afirmam que Jesus salvou a outros e, no entanto, zombam dele. Jesus não reage, pois tem as mãos e os pés pregados na cruz. Suas mãos assim aprisionadas impedem que ele no bata. E ele não bateria. Não ensinou vingança, violência ou retaliação. Seus braços estão presos e assim se mantêm para que permaneçam abertos, acolhendo os que dele zombam. Zombam também os soldados, em termos romanos. Falam de rei. Que ele se salve, se é verdadeiramente rei! Logo depois, diante de Jesus morto, o centurião romano reconhecerá que ‘este homem era um justo!’ É ele o Cristo, o Escolhido? É ele o rei não só dos judeus, mas de todo o universo? Sim, ele é rei e abre seu reino ao malfeitos crucificado a seu lado. ‘Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reinado’… ‘Ainda hoje estarás comigo no paraíso.’” (Côn. Celso Pedro da Silva, em “A Bíblia dia a dia”, da Paulinas Editora).

Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim, hoje? Como acolho os ensinamentos de Jesus em minha vida? Qual é o apelo que o Senhor me convida a viver? Quais sentimentos a Palavra despertou em mim?

Oração (Vida)
“Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.” (Oração do dia)

Contemplação (Vida e Missão)
De que forma você deseja colocar em prática o apelo que a Palavra de Deus lhe revelou neste dia?

Bênção

  • Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
  • Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
  • Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
  • Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

Paulinas