Homilia Batismo do Senhor

Estimados Irmãos,

A festa do Batismo do Senhor Jesus dá termo ao tempo festivo do Natal. Saindo do âmbito da infância, mostra Jesus na véspera de sua vida pública. A voz de Deus que acompanha o dom do Espírito Santo a Jesus proclama-o “Filho amado”(Mt 3,17) de Deus, no qual Deus se compraz: o beneplácito de Deus repousa n’Ele. Jesus é quem executará o projeto do Pai. Por isso é chamado de “filho”, termo que pode ser aplicado a todo justo, mas no caso de Jesus, de maneira única.

A primeira Leitura(Is 42,1-4;6-7) nos apresenta o “servo” de Deus que animou o povo durante o exílio babilônico. O cântico ressoa a eleição desse predileto para levar aos povos e mesmo às “ilhas” o verdadeiro conhecimento do Deus de misericórdia e fidelidade. Jesus é a aliança com os povos, luz das nações, para restaurar a paz e felicidade dos oprimidos.

O “servo” recebe a missão de anunciar a todos a misericórdia e a fidelidade de Deus. Para isso recebe o espírito de Javé. Mais adiante encontraremos esta figura como o “Servo Padecente”, sofrendo pelos pecados de todos. O Novo Testamento vê em Jesus aquele que levou à plenitude estas figuras. A palavra de Deus, no Batismo de Jesus, lembra Is 42,1.

O texto da perícope da Primeira Leitura pertence ao “Livro da Consolação” do Deutero-Isaías (cf. Is 40-55) e consta de duas partes que falam da eleição do “Servo” e da sua missão. A “ordenação” do “Servo” realiza-se através do dom do Espírito. Animado por esse Espírito, o “Servo” irá levar “a justiça às nações”.

A figura misteriosa e enigmática do “Servo” apresenta evidentes pontos de contato com a figura de Jesus. Os primeiros cristãos irão utilizar os cânticos do “Servo” para justificar o sofrimento e o aparente fracasso humano de Jesus. Ele é esse “eleito de Deus”, que recebeu a plenitude do Espírito, que veio ao encontro dos homens com a missão de trazer a justiça e a paz definitivas, que sofreu e morreu para ser fiel a essa missão, que o Pai lhe confiou.

Meus caros irmãos,

A segunda Leitura(At 10,34-38) fala do início do “querigma cristão”: o batismo de Jesus. A pregação do Apóstolo Pedro representa o anúncio do Evangelho nos primeiros tempos do cristianismo: por Jesus, Deus deu a “paz” ao mundo. Jesus recebeu o batismo de João, Deus lhe mandou seu espírito: “ungiu-o” como Messias.

O livro dos Atos dos Apóstolos são uma catequese sobre a “etapa da Igreja”, isto é, sobre a forma como os discípulos assumiram o continuaram o projeto salvador do Pai e o levaram – após a partida de Jesus deste mundo – a todos os homens.

A segunda leitura de hoje está integrado na primeira parte dos “Atos”, onde se apresenta a difusão do Evangelho dentro das fronteiras palestinianas, por ação de Pedro e dos Doze. Insere-se numa perícope que descreve a atividade missionária de Pedro na planície junto da orla mediterrânica da Palestina. Em concreto, o texto propõe-nos o testemunho e a catequese de Pedro em Cesareia, em casa do centurião romano Cornélio. Convocado pelo Espírito (cf. At 10,19-20), Pedro entra em casa de Cornélio, expõe-lhe o essencial da fé e batiza-o, bem como a toda a sua família (cf. At 10,23b-48).

O episódio é importante porque Cornélio é o primeiro pagão a cem por cento a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze: significa que a vida nova, que nasce de Jesus, se destina a todos os homens. No seu discurso, Pedro começa por reconhecer que a proposta de salvação oferecida por Deus e trazida por Cristo é universal e se destina a todas as pessoas, sem distinção de qualquer tipo (vv. 34-36). Israel foi o primeiro receptor da Palavra de Deus; mas Cristo veio trazer a “boa nova da paz” (salvação) a todos os homens que aceitem a proposta e adiram a Jesus.

Irmãos e Irmãs,

O Batismo de Jesus maracá o início de sua vida pública, de sua missão redentora no mundo. Assim também deve ser o nosso batismo que assinala a nossa entrada na comunidade cristã e o conseqüente início de nossa colaboração com Cristo.

Pelo batismo nossos pecados são apagados, a antiga culpa é dissipada e formamos um só corpo com o Senhor Jesus e somos chamados à mesma missão salvadora e ao mesmo destino eterno.Todos, depois de instruídos, devem ser batizados, desde os tempos dos Apóstolos e isso é efetivado pela Sagrada Escrituras em vários textos como em At 2,37-41.

O Batismo é o sacramento porta. O Batismo é o primeiro dos sacramentos e condição para receber os demais. O Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, a porta de entrada na comunidade dos crentes. Assim foi com Jesus que se fez batizar por João Batista, o precursor para iniciar a sua vida pública, a pregação do Reino de Deus. Por isso quem é batizado sela um compromisso com Jesus de iniciar uma vida de pregação do Reino de Deus e de vivência completa e autêntica do Evangelho.

Estimados amigos,

O Batismo tem vários significados, ressaltando que: é a purificação externa e interna da pessoa; a procura de um acréscimo de forças vitais e dom da imortalidade; o batismo é o rito de iniciação cristã; de introdução na comunidade fiel e de assunção das obrigações e vantagens religiosas.

O Batismo de João acentua a CONVERSÃO. E isso vai a encontro à pregação de Jesus, cuja a primeira condição para ser cristão é a conversão do coração.

Assim o Batismo de Jesus, mesmo não tendo pecado, procurou o batismo para começar a cumprir toda a Justiça, isto é, tudo aquilo que foi ordenado por Deus ao Salvador. Jesus se batiza para cumprir a vontade do Pai, como o fará em várias ocasiões durante a sua vida pública.

O Evangelho desta Solenidade(Mt 3,13-17) destaca que o Batismo confirma a missão de Jesus sobre a terra. A partir do Batismo Jesus inicia a sua vida pública, ou seja, a sua profecia ministerial, que exercerá com a força e o poder de Deus, e em nome do mesmo Deus, anunciar a conversão e a santidade.

O “céu se abriu”, afirma o Evangelista. São Mateus quer afirmar que começou uma nova etapa na história da salvação, começou a era messiânica, há um novo relacionamento entre o céu e a terra, tudo o que é do céu pode passar a terra, tudo o que é da terra pode entrar nos céus.

Caros irmãos,

A liturgia da Festa do Batismo de Jesus tem como cenário de fundo o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus nas margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Cumprindo o projeto do Pai, Ele fez-Se um de nós, partilhou a nossa fragilidade e humanidade, libertou-nos do egoísmo e do pecado e empenhou-Se em promover-nos, para que pudéssemos chegar à vida em plenitude.

A primeira leitura anuncia um misterioso “Servo”, escolhido por Deus e enviado aos homens para instaurar um mundo de justiça e de paz sem fim. Investido do Espírito de Deus, Ele concretizará essa missão com humildade e simplicidade, sem recorrer ao poder, à imposição, à prepotência, pois esses não são os esquemas de Deus. No Evangelho, aparece-nos a concretização da promessa profética: Jesus é o Filho/“Servo” enviado pelo Pai, sobre quem repousa o Espírito e cuja missão é realizar a libertação dos homens.

Obedecendo ao Pai, Ele tornou-Se pessoa, identificou-Se com as fragilidades dos homens, caminhou ao lado deles, a fim de os promover e de os levar à reconciliação com Deus, à vida em plenitude. A segunda leitura reafirma que Jesus é o Filho amado que o Pai enviou ao mundo para concretizar um projeto de salvação; por isso, Ele “passou pelo mundo fazendo o bem” e libertando todos os que eram oprimidos.

É este o testemunho que os discípulos devem dar, para que a salvação que Deus oferece chegue a todos os povos da terra. No episódio do batismo, Jesus aparece como o Filho amado, que o Pai enviou ao encontro dos homens para os libertar e para os inserir numa dinâmica de comunhão e de vida nova. Nessa cena revela-se, portanto, a preocupação de Deus e o imenso amor que Ele nos dedica.

É bonita esta história de um Deus que envia o próprio Filho ao mundo, que pede a esse Filho que Se solidarize com as dores e limitações dos homens, e que, através da ação do Filho, reconcilia os homens consigo e fá-los chegar à vida em plenitude. O que nos é pedido é que correspondamos ao amor do Pai, acolhendo a sua oferta de salvação e seguindo Jesus no amor, na entrega, no dom da vida.

Meus irmãos,

O Batismo para a Igreja é a purificação do pecado original; se o batizando for adulto, o fiel batizando terá o perdão de todos os pecados cometidos antes. É o chamado rito de iniciação cristã. É um rito de novo nascimento em Cristo. Pelo Batismo somos consagrados por Deus para a missão de evangelizar, principalmente para a santidade. Pelo Batismo todos os fiéis participam do Sacerdócio e da missão de Jesus.

Por isso somos chamados hoje a viver os compromissos de nosso Batismo e pautar o nosso comportamento pessoal, familiar e comunitário, no quotidiano da vida, nos valores trazidos e apresentados por Jesus, o Salvador.

Assim, na Segunda Leitura, Pedro com um toque de universalidade anuncia a missão de Jesus como Messias e Filho de Deus a partir de seu batismo por João. Nosso Batismo deve levar-nos ao serviço de nossos irmãos. Ser batizado é tornar-se Servo com Cristo, o Servo por excelência. Vamos viver com intensidade nosso Batismo na busca da solidariedade, da santidade e da salvação. Amém!

Homilia: Padre Wagner Augusto Portugal