Liturgia diária, É preciso perdoar sempre - Mt 18,21-35

24º Domingo do Tempo Comum – Ano Litúrgico A

17 de setembro de 2017

ORAÇÃO DO DIA

Pai, é meu desejo imitar teu modo de agir, no tocante ao perdão. Faze-me ser pródigo e misericordioso em relação ao próximo que precisa do meu perdão.

PRIMEIRA LEITURA:  Eclo 27,33—28,9

Leitura do Livro do Eclesiástico – 33O rancor e a raiva são coisas detestáveis; até o pecador procura dominá-las.
28,1Quem se vingar encontrará a vingança do Senhor, que pedirá severas contas dos seus pecados.
2Perdoa a injustiça cometida por teu próximo; assim, quando orares, teus pecados serão perdoados.
3Se alguém guarda raiva contra o outro, como poderá pedir a Deus a cura? 4Se não tem compaixão do seu semelhante, como poderá pedir perdão dos seus pecados? 5Se ele, que é um mortal, guarda rancor, quem é que vai alcançar perdão para seus pecados?
6Lembra-te do teu fim e deixa de odiar; 7pensa na destruição e na morte, e persevera nos mandamentos.
8Pensa nos mandamentos, e não guardes rancor ao teu próximo.
9Pensa na aliança do Altíssimo, e não leves em conta a falta alheia!

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

SALMO 102

— O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.
— O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso.

— Bendize, ó minha alma, ao Senhor,/ e todo o meu ser, seu santo nome! Bendize, ó minha alma, ao Senhor,/ não te esqueças de nenhum de seus favores!

— Pois ele te perdoa toda culpa,/ e cura toda a tua enfermidade;/ da sepultura ele salva a tua vida/ e te cerca de carinho e compaixão.

— Não fica sempre repetindo as suas queixas,/ nem guarda eternamente o seu rancor./ Não nos trata como exigem nossas faltas,/ nem nos pune em proporção às nossas culpas.

— Quanto os céus por sobre a terra se elevam,/ tanto é grande o seu amor aos que o temem;/ quanto dista o nascente do poente,/ tanto afasta para longe nossos crimes.

SEGUNDA LEITURA: Rm 14,7-9

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos – Irmãos: 7Ninguém dentre vós vive para si mesmo ou morre para si mesmo.
8Se estamos vivos, é para o Senhor que vivemos; se morremos, é para o Senhor que morremos. Portanto, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor.
9Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto: para ser o Senhor dos mortos e dos vivos

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

EVANGELHO: Mt 18,21-35

– O Senhor esteja convosco.
          – Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Mateus.
          – Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?”
22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados.
24Quando começou o acerto, levaram-lhe um que devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’
34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida.
35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

– Palavra da Salvação
– Glória a vós Senhor.

Comentário do Evangelho

Aceitar a correção fraterna e promover a ajuda mútua são manifestações do dom da sabedoria. Mais um passo à frente e encontramos o perdão. Somos incapazes de não cometer erros, por isso, é muito bom poder ser perdoado! Pedro acha que é bastante perdoar sete vezes. Jesus pensa que é preciso perdoar mais e diz “setenta vezes sete!”, o que significa “sempre”. É preciso perdoar sempre para poder ser perdoado. Jesus conta a história de um empregado que foi perdoado, e muito, e não soube perdoar um companheiro que lhe devia pouca coisa. Ele foi punido e Jesus conclui que também nós seremos punidos pelo Pai do céu, se não perdoarmos de coração o nosso irmão. Poderíamos desculpar o empregado que não perdoou, dizendo que ele agiu dessa forma para ter com que pagar o seu patrão. “Eu devo e não tenho com que pagar porque quem me deve não me paga.” Na verdade, o empregado já tinha sido perdoado e não havia mais nada a pagar. Pense que Deus é o patrão e você lhe deve muito. Ele perdoa você, que não é capaz de perdoar quem lhe deve pouco! Se a gente quiser acertar e viver em paz, o melhor é perdoar sempre, sem ficar procurando quem tem razão.
Não vivemos nem morremos para nós mesmos, vivemos e morremos para o Senhor. Paulo supõe que tudo o que fazemos, ou pensamos, ou dizemos, fazemos por causa do Senhor. Queremos fazer o que Deus quer, eu e você. Por isso não posso interpretar mal os outros. Devo acreditar que o que o outro faz, ele o faz por causa do Senhor, e não por má vontade. Não pensemos mal dos outros. O outro é tão cristão quanto eu. Não é preciso que todo mundo faça tudo do mesmo jeito. Não é preciso que todos façam do jeito que eu faço. O que é preciso é que todos façam o que Deus quer, cada um do seu jeito. Veja os ensinamentos claros e diretos do livro do Eclesiástico: 1. Rancor e raiva são coisas tão detestáveis que até o pecador procura dominar. Portanto, nada de rancor e raiva! 2. Deus vai se vingar de quem se vinga dos outros, pedindo contas severas de seus pecados. Portanto, nada de vingança! 3. Perdoe o outro para ser perdoado por Deus. Portanto, perdoe sempre! 4. Não peça a cura de alguma doença com raiva no coração. 5. Não peça o perdão dos pecados sem ter compaixão dos outros. 6. Pense positivo: pense no próprio fim, nos mandamentos, na aliança com Deus, e deixe de lado o ódio, o rancor, a falta alheia. Deus perdoa, cura, salva, tem carinho e compaixão, não é rancoroso, não vive queixando-se de nós, nos trata bem e não nos pune, apesar de nossas faltas.

Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2017’, Paulinas

LEITURA ORANTE

Oração Inicial
Hoje celebramos o 24º domingo do Tempo Comum. O tema central da nossa oração é o perdão. Pedro questiona o Mestre: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim?” Por vezes, também nos questionamos sobre a vivência do perdão e sabemos o quão difícil é perdoar uma pessoa ou uma experiência, se não contamos com a graça de Deus. Por isso, hoje, vamos pedir essa graça ao Senhor.
“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém! Neste tempo de oração com a Palavra, abramo-nos para receber essa bênção, que o Senhor oferece também a nós por meio de seu Espírito.”

Leitura (Verdade)
O que diz o texto bíblico? “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” Leia o Evangelho com bastante calma, quantas vezes julgar necessário, e identifique os verbos e os personagens que surgem durante a narrativa. O que eles fazem? O que está acontecendo no texto? Qual é o tema central do Evangelho de hoje?

Meditação (Caminho)
Tendo identificado o tema central do Evangelho, procure compreender o que ele diz diretamente a você. Medite sobre essa Palavra e escute o que o Senhor lhe diz por meio dela. Se sentir necessidade, faça uma nova leitura, deixando-se tocar pelo Evangelho. Não perca de vista aquilo que mais lhe chama atenção, pois é dessa forma que Deus fala com você.
“‘O ódio destrói qualquer coração. Ele vai matando, aos poucos, aquele que o guarda dentro de si.’ A primeira leitura (Eclo 27,33–28,9) relaciona o ódio a uma doença. Quem odeia está com a alma adoecida, diz a Palavra. Se uma pessoa guarda raiva, ódio, rancor, ira dentro de si, contra o outro, como pode pedir a Deus a cura? Isso é grave demais! Por isso, Jesus exorta a perdoar sempre, sem limites. Para o cristão, perdoar não é uma lei, mas uma gratidão. Deus nos amou e nos perdoou sem mérito algum de nossa parte. Então, devemos fazer o mesmo com os nossos irmãos. Quem não ama envenena-se. Ódio é veneno para a alma. Só o amor constrói relações saudáveis e duradouras” (Frei Mário Sérgio Souza, em “Viver a Palavra 2017”, da Paulinas Editora).

Oração (Vida)
No texto de hoje, estão presentes a misericórdia, o perdão de Deus e o convite que Ele nos faz para também perdoarmos. O que o texto o(a) leva a dizer a Deus?

Contemplação (Vida e Missão)
Qual apelo a Palavra de Deus despertou em seu coração? O que você se propõe a viver hoje? Como pretende atingir esse propósito?

Bênção
– Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
– Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
– Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.