Liturgia diária Multiplicação dos pães - Mc 8,1-10

Nossa Senhora de Lourdes – Ano Litúrgico A

11 de fevereiro de 2017

ORAÇÃO DO DIA

Senhor, eu vos louvo e agradeço pelo grande dom do Evangelho. Que ele seja conhecido, aceito e amado por todos.

PRIMEIRA LEITURA: Gn 3,9-24

Leitura do Livro do Gênesis

9O Senhor Deus chamou Adão, dizendo: “Onde estás?” 10E ele respondeu: “Ouvi tua voz no jardim, e fiquei com medo porque estava nu; e me escondi”. 11Disse-lhe o Senhor Deus: “E quem te disse que estavas nu? Então comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer?” 12Adão disse: “A mulher que tu me deste por companheira, foi ela que me deu do fruto da árvore, e eu comi”.
13Disse o Senhor Deus à mulher: “Por que fizeste isso?” E a mulher respondeu: “A serpente enganou-me e eu comi”. 14Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso, serás maldita entre todos os animais selvagens! Rastejarás sobre o ventre e comerás pó todos os dias da tua vida! 15Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”.
16À mulher ele disse: “Multiplicarei os sofrimentos da tua gravidez: entre dores darás à luz os filhos; teus desejos te arrastarão para o teu marido, e ele te dominará”. 17E disse em seguida a Adão: “Porque ouviste a voz da mulher e comeste da árvore, de cujo fruto te proibi comer, amaldiçoado será o solo por tua causa! Com sofrimento tirarás dele o alimento todos os dias da tua vida. 18Ele produzirá para ti espinhos e cardos e comerás as ervas da terra; 19comerás o pão com o suor do teu rosto até voltares à terra de que foste tirado, porque és pó e ao pó hás de voltar”.
20E Adão chamou à sua mulher “Eva”, porque ela é a mãe de todos os viventes. Então o Senhor Deus fez para Adão e sua mulher túnicas de pele e as vestiu. 22Disse, depois, o Senhor Deus: “Eis que o homem se tornou como um de nós, capaz de conhecer o bem e o mal. Não aconteça, agora, que ele estenda a mão também à árvore da vida para comer dela e viver para sempre!”
23E o Senhor Deus o expulsou do jardim de Éden, para que ele cultivasse a terra donde fora tirado. 24Expulsou o homem, e colocou a oriente do jardim de Éden os querubins, e a espada lam¬pejante de chamas, para guardar o caminho da árvore da vida.

– Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

SALMO 89

          Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.
— Ó Senhor, vós fostes sempre um refúgio para nós.

— Já bem antes que as montanhas fossem feitas ou a terra e o mundo se formassem, desde sempre e para sempre vós sois Deus.

— Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

— Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.

— Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!

EVANGELHO: Mc 8,1-10

         – O Senhor esteja convosco.
          – Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Marcos.
          – Glória a vós, Senhor.

         1Naqueles dias, havia de novo uma grande multidão e não tinha o que comer. Jesus chamou os discípulos e disse: 2“Tenho compaixão dessa multidão, porque já faz três dias que está comigo e não têm nada para comer. 3Se eu os mandar para casa sem comer, vão desmaiar pelo caminho, porque muitos deles vieram de longe”.
4Os discípulos disseram: “Como poderia alguém saciá-los de pão aqui no deserto?” 5Jesus perguntou-lhes: “Quantos pães tendes?” Eles responderam: “Sete”.
6Jesus mandou que a multidão se sentasse no chão. Depois, pegou os sete pães, e deu graças, partiu-os e ia dando aos seus discípulos, para que o distribuíssem. E eles os distribuíram ao povo.
7Tinham também alguns peixinhos. Depois de pronunciar a bênção sobre eles, mandou que os distribuíssem também. 8Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos com os pedaços que sobraram. 9Eram quatro mil, mais ou menos. E Jesus os despediu. 10Subindo logo na barca com seus discípulos, Jesus foi para a região de Dalmanuta.

– Palavra da Salvação
– Glória a vós Senhor.

Comentário do Evangelho

Jesus continua em território pagão. Como no primeiro relato da multiplicação dos pães, a compaixão é o sentimento que move o coração de Jesus. Como causa da encarnação e da paixão, morte e ressurreição de Jesus está o amor de Deus pela humanidade; amor que o Senhor viveu e transmitiu até o fim. Mais do que dois “acontecimentos”, trata-se de apresentar a universalidade da salvação: o povo que Jesus Cristo reúne é constituído de judeus e pagãos; os pagãos também são admitidos à mesa da eucaristia. Estando já três dias com Jesus, a comida acabou. Essa notícia é que permite entrar na mensagem que o autor quis transmitir com o seu texto. A compaixão de Jesus pela multidão é a causa de sua entrega em favor de toda a humanidade. A conotação eucarística do texto é evidente. A notícia de que todos ficaram satisfeitos e a menção da sobra são maneiras de dizer da abundância do alimento dado e, além disso, de que esse alimento ultrapassa a materialidade, pois é um alimento espiritual simbolizado no pão e no peixe que, no início do cristianismo, se referiam a Cristo e à eucaristia.

LEITURA ORANTE

Prepare-se para a Leitura Orante do texto de hoje, rezando:
Vinde, Espírito Santo,
e dai-me o dom da sabedoria,
para que possa avaliar todas
as coisas à luz do Evangelho

1. Leitura – O que a Palavra diz?
Leio do texto em Mc 8,1-10 (acima)
A multiplicação dos pães e peixes é narrada pelos quatro evangelistas.
As narrativas mostram Jesus compadecido, ou seja,
que se comoveu com a multidão que era como ovelhas sem pastor.
Jesus manda o povo se sentar. Abençoou
e partiu os pães e os repartiu aos discípulos, para que estes os distribuíssem ao povo.
Era o “banquete dos pobres” ou ” piquenique de Jesus” não só porque todos comeram e ficaram saciados, mas porque todos partilharam o que traziam em suas mochilas, como fez o menino. O maior milagre é abrir as mãos e fazer a comunhão fraterna. Jesus provocou a partilha, soube organizar e dividir com igualdade. Por isso, queriam fazê-lo rei, chefe.
Jesus porém, refugiou-se de novo, sozinho, na montanha (Jo 6,14-15).

2. Meditação – O que a Palavra diz para mim?
Participo de um grande banquete ou piquenique com Jesus
O que este evangelho me diz? Em primeiro lugar, que Jesus se preocupa e «sente compaixão» do homem todo:corpo e alma. O evangelho da multiplicação dos pães oferece um detalhe que pode nos ajudar a encontrar a resposta. Jesus não estalou os dedos para que aparecesse, como mágica, pão e peixe para todos. Ele perguntou o que eles tinham; convidou a compartilhar o pouco que tinham: 7 pães e alguns peixinhos.
Hoje Ele faz a mesma coisa. A humanidade seria capaz de dar de comer a mais de bilhões de pessoas que hoje passam fome. Não podemos acusar Deus de não dar pão suficiente para todos, quando cada dia destruímos milhões de toneladas de alimentos que chamamos de «excedentes». A solução é melhor distribuição, maior solidariedade e capacidade para compartilhar.
Eu, você, nós somos agora o menino anônimo do Evangelho que temos muito bem guardados o sete pães e alguns peixinhos que podem ser distribuídos a todos.
Jesus pegou os pães e “deu graças a Deus” Este gesto e oração recordam a multiplicação de outro pão que é o Corpo de Cristo. Em Tabga, na Palestina, na igreja construída no lugar da multiplicação dos pães, há um mosaico com este símbolo: um cesto com 5 pães e, ao lado, 2 peixes.
Afinal, o que estamos fazendo neste momento, pela internet, também é uma multiplicação dos pães: o pão da palavra de Deus.

3. Oração – O que a Palavra me leva a dizer a Deus?
A Palavra me leva a orar com Madre Teresa de Calcutá:

Senhor, daí-me alguém para amar.
Senhor, quando eu tiver fome,
dai-me alguém que necessita de comida;
quando tiver sede, dai-me alguém que precise de água;
quando tiver frio, dai-me alguém que necessite de calor.
Quando tiver um aborrecimento, dai-me alguém que necessite de consolo;
quando minha cruz parecer pesada, dai-me compartilhar a cruz do outro;
quando me achar pobre, ponde a meu lado alguém necessitado.
(…) Tornai-nos dignos, Senhor, de servir nossos irmãos que
vivem e morrem pobres e com fome no mundo de hoje.
Dai-lhes, através de nossas mãos, o pão de cada dia,
e dai-lhes, graças ao nosso amor compassivo, a paz e a alegria.

4. Contemplação – Qual o meu novo olhar a partir da Palavra?
Acabo de partilhar o pão da Palavra que a internet multiplicou.
Resta-me uma tarefa: recolher «os pedaços que sobraram»,
e fazer a Palavra chegar também a quem não participou do banquete.
Como discípulo/a e missionário/a parto agora para
a bela tarefa de comunicar a mensagem,
sugerindo esta reflexão a alguém próximo ou distante