Sagrado Coração de Jesus

Jesus é o Bom Pastor! O Bom Pastor que conduz as suas ovelhas ao “aprisco do Senhor!”. Na solenidade que celebramos hoje Deus cuidará dos pequeninos e dos fracos como um dedicado Pastor, ou como nos ensina o Papa Francisco, nós somos chamados a nos empenhar nas periferias para ir ao encontro das ovelhas.

Caros fiéis,

Na primeira leitura(Ez 34,11-16) Ezequiel retoma no capítulo 34 de seu livro o tema de Jeremias 23,1-6 e censura aos pastores, reis e chefes do povo, os crimes e depois anuncia que ele mesmo será o pastor do seu povo. Na realidade, à volta do exílio não há mais um rei, mas a teocracia.

Estamos diante de um povo mal governado, indefeso e com fome. Esses males sociais são encobertos e são sufocados aqueles que ousam denunciar este quadro social. Aqui está o rebanho explorado pelos que deveriam ser seu guia e a sua defesa. Deus faz saber, pelos lábios de Ezequiel, que irá cuidar ele mesmo do seu povo, como um pastor dedicado, um pastor prudente, que reunirá as ovelhas dispersas, que chamará todas as ovelhas pelo nome, uma a uma; que garantirá boas e abundantes pastagens, bem como repouso seguro para cada uma das ovelhas e que as vigiará de todo mal, de toda maldade, dos lobos que querem devorá-la.

A primeira leitura nos ensina que Deus é o “bom pastor”, por isso implica falar de um Deus com o coração cheio de amor, que em todos os instantes está presente nos caminhos da nossa história, luta ao nosso lado contra tudo o que oprime e escraviza, aponta horizontes de esperança àqueles que andam perdidos, cuida de todos aqueles que a vida magoou e feriu, oferece a todos a vida e a salvação e proclama a misericórdia generosa do Pai. Neste dia do Coração de Jesus, somos convidados a contemplar o amor e a ternura do Pastor/Deus que se derramam sobre todos os homens e, de forma especial, sobre os pobres, os oprimidos, os excluídos. A imagem do “bom pastor” é posta, nesta leitura, em contraste com os “maus pastores” (os líderes), os quais, procurando apenas “apascentar-se a si próprios”, conduziram o Povo e a nação por caminhos de egoísmo e de morte. A primeira leitura nos convida a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança em mãos humanas, pois só Deus é o “bom pastor” em quem podemos encontrar a vida em plenitude.

A imagem apresenta o Bom Pastor, que é Deus, que cuida com desvelo de seu povo, para salvá-lo das explorações dos que o oprimem em lugar de governá-lo com candura e sabedoria. O autêntico governante é aquele que, a exemplo do Bom Pastor, é manso e humilde de coração. A cena é uma admoestação, uma mensagem de como deve agir quem, em qualquer grau ou modo, é colocado como guia dos outros. Do “rebanho” bem conduzido e apascentado ergue-se o canto de agradecimento ao seu pastor.

Prezados irmãos,

A segunda leitura retirada de da Carta de São Paulo aos Romanos(Rm 5,5b-11). Antes de sermos justificados éramos enfermos, ímpios, pecadores e inimigos de Deus. E que fez Deus por nós mediante a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo? Reconciliou-nos consigo, tornou-nos justos, deu-nos a paz e a possibilidade de chegarmos a Ele, uma inabalável esperança e o seu amor pelo dom Espírito Santo Paráclito.

Deus nos amou porque éramos pecadores. Cristo morreu pelos pecadores. Jesus morreu por causa da humanidade pecadora. Por isso Deus nos deu uma prova de amor, porque Nosso Senhor Jesus Cristo morreu precisamente quando os homens eram pecadores; morreu para libertá-los do pecado. Cristo “ressuscitou” para comunicar-nos a sua vida. Cabe a cada um de nós dar a resposta ao gesto de doação de Cristo por nós.

O cristão não está fadado ao fracasso. Isso porque ele tem consciência do amor de Deus e que, com o coração cheio da alegria do Evangelho e da esperança cristã, sente a necessidade de testemunhar aos homens, mais com gestos do que com palavras, esse amor. A consciência do amor de Deus nos dá a coragem de enfrentar o mundo e de, no seguimento de Jesus, fazer da vida um dom de amor. O cristão não teme o confronto com a injustiça, com a perseguição, com a morte: tudo isso é secundário, perante o Deus que nos ama e que nos desafia a amar sem medida. Enfrente quem enfrentar, o que importa ao crente é ser, no mundo, um sinal vivo do amor de Deus.

Prezados fiéis,

O Evangelho desta solenidade(cf. Lc 15,3-7).  O Evangelho de hoje é considerado aquele que converteu maior número de pecadores. É o doce convite à alegria ou o cântico de alegria no céu pelo pecador que volta ao bom caminho. São três parábolas. As duas primeiras parábolas, a da ovelha, que lemos hoje, e a da moeda perdia, descrevem a solicitude de Deus que vai em busca do que estava perdido. A terceira parábola, que talvez seja melhor chamá-la de “a parábola do Pai Misericordioso” coloca em relevo a paciência de Deus, que não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.

A maior vingança de Deus é o seu amor dilatado por cada ser vivente. Do Coração de Jesus emana um amor que se derrama exatamente aonde há mais miséria, vai em busca de quem o abandonou, o ultrajou e o traiu. Só Deus sabe avaliar o mal que é o pecado, e só ele, que é extremamente bondade e tudo pode, quer e pode libertar-nos do pecado, do mal e da miséria humana.

Jesus se alegra ao encontrar a ovelha perdida e ele mesmo dá a sentença do que é a graça do seguimento cristão: “Assim haverá mais alegria por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não  precisam de conversão”(Lc 15, 7).

Vamos nos alegrar pela conversão do pecador que brota do Coração aberto de Cristo! “É o amor que se alegra em salvar, se alegra por ter salvo. Assim é o amor de Deus que se encarnou em Cristo”.

O Evangelho nos apresenta o imenso amor de Deus. Deus ama de forma desmesurada cada mulher e cada homem. É esta a primeira coisa que nos deve “tocar” ao celebrarmos o Sagrado Coração de Jesus. O amor de Deus dirige-se, de forma especial, aos pequenos, aos marginalizados, aos necessitados de salvação.

Que a imagem evangélica de hoje do Deus/Pastor, cujo amor se derrama, de forma especial, sobre as ovelhas feridas e perdidas do rebanho. Dessa forma, sugere-se que o Pastor/Deus não só não exclui ninguém da sua proposta de salvação – nem sequer aqueles que, pelas suas atitudes “politicamente incorretas” são marginalizados pelos outros homens – mas até tem um “fraco” especial pelos excluídos: são precisamente esses os destinatários privilegiados do amor de Deus, especialmente aqueles que vivem nas periferias e que são os mais amados de Deus e devem ser amados por todos nós!

Nesta Solenidade, contemplando o Sagrado Coração de Jesus tomemos consciência do sentido da interioridade, num mundo marcado pelo excesso de informação e de estímulos, de tantas mídias sociais sufocantes e que espalham fake news, deverá ser recuperado através de novas formas de cultivo da oração e da intimidade com o Coração de Cristo. A simplicidade e profundidade das propostas da espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus, particularmente pelas ações do Apostolado da Oração, obra meritória, nos seus vários modos, acrescentam um contributo essencial para a criação de espaços de interioridade e percepção de como a união entre oração e vida pode ser fecunda nos contextos em que os cristãos hoje vivem a sua fé.

Junto com a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus nós somos convidados para a Jornada Mundial de Oração pelo clero. Rezemos, nesta solenidade, pelo padre que nos batizou, que nos deu a Eucaristia pela primeira vez, que primeiro nos confessou, que distribuiu os sacramentos em nossa existência. Rezemos pelos sacerdotes que trabalharam em nossas paróquias e comunidades. E apresentemos diante de Deus aqueles Padres que nos causaram decepção. Vamos perdoá-los e rezar por sua conversão.

Que o Sagrado Coração de Jesus nos ensine a ternura, o amor, a compaixão, a concórdia e nos ajude a sermos mais mansos, humildes e caridosos. Amém!

Padre Wagner Augusto Portugal.