Solenidade da Assunção de Nossa Senhora - A
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Celebrar a Assunção de Nossa Senhora, de corpo e alma, ao céu é a manifestação de felicidade de todo o povo fiel pela Mãe de Jesus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, que nela vêem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. Por isso, esta festa tem a dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe de todos os batizados.

Com muita facilidade, o Apocalipse aplica em seu capítulo 12, de maneira poética, a missão da Virgem Maria: “Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (cf. Ap 12, 1-2).

 Se esta perícope era apresentada como uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto – na alusão à Igreja perseguida do primeiro século – até a vitória de Cristo é salutar apresentar esta nova exegese, em que na pessoa de Maria vislumbramos a combinação ideal de glória e humildade: ela deixou Deus ser grande na sua vida.

A Primeira Leitura(Ap 11,19a;12,1-3-6a.10ab) apresenta a mulher que pode representar a Igreja, novo Israel, o que sugere o número doze (as estrelas). O seu nascimento é o do batismo que deve dar à terra uma nova humanidade. O Dragão é o perseguidor, que põe tudo em ação para destruir este recém-nascido. Mas o destruidor não terá a última palavra, pois o poder de Deus está em ação para proteger o seu Filho.
Proclamando esta mensagem na Assunção, reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.

Caros irmãos,

Assim, ouvindo os clamores do povo santo de Deus, o grande Papa Pio XII, em 1o de novembro de 1950, definiu a Assunção de Maria como dogma, ou seja, como ponto referencial de nossa fé católica. Diz a fórmula do dogma: “Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste”. Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu com corpo e alma, ou seja, coroada plenamente e, mais do que isso, definitivamente com a glória que Deus preparou para os seus santos. Então, Maria foi a primeira a servir a Cristo na fé. Maria é a primeira a participar na plenitude de sua glória, porque ela é a “perfeitíssimamente” redimida. Ela foi acolhida completamente no céu porque acolheu nela o Céu – inseparavelmente.

Meus irmãos,

Celebrar a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora é reafirmar um dos princípios fundamentais da nossa fé católica e apostólica: o nosso destino imortal, nossa ressurreição, nossa glorificação, nosso mergulho na eternidade de Deus.

De fato, Maria foi acolhida em corpo e alma no céu. Essa imagem é a consoladora esperança e a garantida da realização do sonho humano: viver para sempre, destino de todos aqueles que Cristo fez irmãos, ao ter com eles “em comum o sangue e a carne” (cf. Hb 2,14).

 Contemplando Maria assunta ao céu, a Igreja nos convida a contemplar o futuro que espera a todos aqueles e aquelas que são fiéis discípulos e missionários de Jesus Cristo, como nos leva a rezar o prefácio da Missa de hoje: “Elevada à glória do céu, aurora e esplendor da Igreja triunfante, Maria é consolo e esperança de todo o povo ainda em caminho”. Assim, hoje não celebramos somente Nossa Senhora da Assunção, mas, também, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Alegria, Nossa Senhora da Vitória ou Nossa Senhora Vitoriosa.

Santo Antônio, Doutor da Igreja muito estimado por todos os fiéis, tem um sermão inteiro dedicado à Assunção de Maria, no qual deixa muito claro a dependência da assunção à encarnação do Filho de Deus. O discípulo de Francisco de Assis ensina que: “Esta nossa gloriosa Ester foi levada hoje pelas mãos dos anjos aos aposentos do rei Assuero, isto é, ao tálamo etéreo, onde reside em trono de estrelas o Rei dos reis, felicidade dos anjos, Jesus Cristo, o qual amou a gloriosa Virgem acima de todas as mulheres, de quem recebeu a carne. Ela encontrou, diante dele, graça e misericórdia, acima de todas as mulheres. Ó inestimável dignidade de Maria! Ó inenarrável sublimidade da graça! Ó inescrutável profundidade da misericórdia! Nunca tanta graça, nem tanta misericórdia, foi nem pode ser concedida a um anjo ou a um homem, como a Maria Virgem Santíssima, que Deus Pai quis fosse Mãe de seu próprio Filho, igual a si, gerado antes de todos os séculos! Havia de ser graça e dignidade máxima mulher pobrezinha ter um filho do imperador. Verdadeiramente superior a toda a graça foi a graça de Maria Santíssima, que teve um filho com Deus Pai, e por este motivo mereceu ser hoje coroada no céu”.

Irmãos e Irmãs,

A Liturgia hodierna nos apresenta, no Evangelho(cf. Lc 1,39-56) o MAGNIFICAT. Nesta bela página evangélica nós podemos observar a pedagogia de Deus: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Deus escolhe o lado de quem, aos olhos do mundo, é insignificante. São os rebaixados, humilhados, oprimidos e oprimidas que Deus escolhe para serem os mensageiros de seu projeto de salvação. Maria, que nem casada era, foi escolhida, e nela está representada toda a humanidade humilhada e espoliada. Exatamente porque Maria afirmou que seja feita não a sua vontade, mas a vontade de Deus, que Ela foi exaltada como a Mãe do Salvador, partícipe de sua glória, de seu amor verdadeiro que une sempre.

A grandeza de Maria não vem do valor social, que infelizmente não tinha porque era mulher, pobre e solteira, mas da maravilhosa obra que Deus realiza em sua grandeza espiritual.

O Evangelho é um magnífico diálogo de amor entre Deus e a moça simples de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria e, à doação de Maria na maternidade e no seguimento de Jesus, responde o grande “sim” de Deus, a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não deixam Deus agir, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. Assim, o filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois enquanto eles oprimem, ele salva de verdade.

Maria é grande. A maior grandeza da Virgem é ser a Mãe de Jesus, Mãe de Deus.

Inspirada por Deus, sua prima Isabel reconhece a maternidade divina de Maria (cf. Lc 1,43) e a declara cheia de graça e “bendita entre todas as mulheres” (cf. Lc 1,42). Elogia Maria por ter acreditado no Senhor (cf. Lc 1,45).

O cântico de Maria descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos. Pela Visitação que teve lugar na Judeia, Maria levava Jesus pelos caminhos da terra. Pela Dormição e pela Assunção, é Jesus que leva a sua mãe pelos caminhos celestes, para o templo eterno, para uma Visitação definitiva. Nesta festa, com Maria, proclamamos a obra grandiosa de Deus, que chama a humanidade a se juntar a ele pelo caminho da ressurreição. Em Maria, Ele já realizou a sua obra na totalidade; com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos, exaltou os humildes”. Os humildes são aqueles que crêem no cumprimento das palavras de Deus e se põem a caminho, aqueles que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, Cristo, para o levar ao nosso mundo. Deus debruça-se sobre eles e cumpre neles maravilhas.

Caros irmãos,

A Segunda Leitura(cf. 1Cor 15,20-27a) mostra que a assunção da Virgem Maria é uma forma privilegiada de Ressurreição. Tem a sua origem na Páscoa de Jesus e manifesta a emergência de uma nova humanidade, em que Cristo é a cabeça, como novo Adão. Todo o capítulo 15 desta epístola é uma longa demonstração da ressurreição. Na passagem escolhida para a festa da Assunção, o apóstolo apresenta uma espécie de genealogia da ressurreição e uma ordem de prioridade na participação neste grande mistério. O primeiro é Jesus, que é o princípio de uma nova humanidade. Eis porque o apóstolo o designa como um novo Adão, mas que se distingue absolutamente do primeiro Adão; este tinha levado a humanidade à morte, ao passo que o novo Adão conduz aqueles que o seguem para a vida. O Apóstolo Paulo não evoca Maria, mas se proclamamos esta leitura na Assunção, é porque reconhecemos o lugar eminente da Mãe de Deus no grande movimento da ressurreição.

Celebramos, portanto, a glorificação dessa fé sólida da Santíssima Virgem e a coroação conseqüente de sua maternidade. Perfeita entre todas as mulheres, Nossa Senhora é a medianeira de todas as graças.

Assim, rogai por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo, Amém!

Homilia por: Padre Wagner Augusto Portugal