Oração diária O fariseu e o publicano

30º Domingo Comum – Ano Litúrgico C

23 de outubro de 2016

ORAÇÃO DO DIA

Pai, faze-me consciente de minha condição de pecador, livrando-me da soberba que me dá a falsa ilusão de ser superior a meu próximo e mais digno de me dirigir a ti.

PRIMEIRA LEITURA: Eclo 35,15b-17.20-22a

Leitura do livro do Eclesiástico – 15bO Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. 16Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; 17jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas.
20Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. 21A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, 22afaça justiça aos justos e execute o julgamento. – Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

SALMO 33

          — O pobre clama a Deus e ele escuta:/ o Senhor liberta a vida dos seus servos.
— O pobre clama a Deus e ele escuta:/ o Senhor liberta a vida dos seus servos.

— Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo,/ seu louvor estará sempre em minha boca./ Minha alma se gloria no Senhor;/ que ouçam os humildes e se alegrem!

— Mas ele volta a sua face contra os maus,/ para da terra apagar sua lembrança./ Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta/ e de todas as angústias os liberta.

— Do coração atribulado ele está perto/ e conforta os de espírito abatido./ Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos,/ e castigado não será quem nele espera.

SEGUNDA LEITURA:  2Tm 4,6-8.16-18

Leitura da segunda Carta de São Paulo a Timóteo – Caríssimo: 6Quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.
8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.
16Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta.
17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão.
18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. – Palavra do Senhor.
– Graças a Deus.

EVANGELHO:  Lc 18,9-14

        – O Senhor esteja convosco.
          – Ele está no meio de nós.
– Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo São Lucas.
          – Glória a vós, Senhor.

          Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros:
10“Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos.
11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’.
13O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’
14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

– Palavra da Salvação
– Glória a vós Senhor.

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Comentário do Evangelho

Jesus conta mais uma parábola, desta vez de dois homens que foram rezar no Templo de Jerusalém. Um se orgulhava de tudo o que fez de bom e de sua superioridade em relação aos ladrões, aos desonestos, aos adúlteros, e em relação ao outro homem, cobrador de impostos, ajoelhado num cantinho, muito consciente de sua miséria, e que rezava batendo no peito pedindo que Deus tivesse piedade dele, um pecador.

Na pequena história Jesus diz que o pecador era um publicano e o que se considerava santo era um fariseu. Os fariseus eram religiosos, os publicanos nem tanto. Eram cobradores de impostos, pouco apreciados pelo povo. Deus gostou da oração humilde do publicano e não gostou do que disse o fariseu, que se acreditava superior aos outros.

A prece que atravessou o céu e chegou até Deus foi a prece humilde do publicano. Deus, que não faz discriminação de pessoas, dá uma atenção especial ao pobre, ao oprimido, ao órfão, à viúva. Ele ouve o desabafo das mágoas e acolhe a oração humilde. Deus está aberto a todos porque todos, independentemente de sua posição social e de seu dinheiro, podem ser humildes.

A oração humilde é feita por quem se coloca diante do único Absoluto. Deus é o todo de sua vida e não há nada que se interponha à sua união e ao seu relacionamento. A oração humilde é feita por quem não se vê como sujeito de direitos diante de um Deus que lhe deve alguma coisa por suas boas obras.

A oração humilde é a oração de quem sabe que é pecador, pequeno e frágil. O publicano do Templo, que não tinha nada de que se gloriar, só sabia pedir perdão por ser um pecador. O fariseu, infelizmente, tinha muito de que se gloriar. Sua observância da Lei não era gratuita. A observância dos preceitos da Lei de Moisés era para ele ocasião de glória e de exaltação. A gratuidade desapareceu da sua vida.

A Lei, que deveria levá-lo a uma aliança mais intensa com Deus, acabou levando-o a um grande distanciamento. A Lei continua a ensinar, é boa pedagoga, e os ritos que dela decorrem têm sua beleza e serventia prática, mas não foram capazes de justificar o fariseu no íntimo de sua vida. Ele era tão bom ritualmente que Deus tinha obrigação de recompensá-lo.

A humildade se manifesta na verdade. São Paulo sabia que ia morrer e estava consciente de que sua vida tinha sido luta. Muitas vezes ficou sozinho e abandonado, mas nunca abandonado por Deus. Completou a corrida, foi até o fim e guardou a fé. Paulo tinha de que se exaltar, mas compreendeu que acima de tudo estava o conhecimento de Jesus Cristo. Ele sempre teve medo dos observantes que se gloriavam por suas observâncias, comparando-se aos outros.

Cada um observe sua própria obra, dizia aos gálatas, e então terá de que se gloriar por si só e não por referência ao outro. Ele mesmo preferia entregar-se humildemente nas mãos de Deus pela fé. Qual a sensação dos dois orantes ao deixarem o Templo? É uma parábola. Este fato não aconteceu. Aconteceram muitos outros semelhantes na vida real. O fariseu saiu tranquilo. Ele se considerava justo, não tinha o que mudar. O publicano, como Zaqueu, não tinha outro caminho a não ser a conversão.

Côn. Celso Pedro da Silva, ‘A Bíblia dia a dia 2016’, Paulinas.

LEITURA ORANTE

Oração Inicial
Hoje é o 30º domingo do Tempo Comum e Dia Mundial das Missões. A liturgia da Palavra nos apresenta a parábola dos dois homens em oração, um fariseu e um publicano. É considerada uma das parábolas centrais do Novo Testamento, uma vez que descreve a relação do ser humano com Deus e de Deus com o ser humano. Na oração, devemos deixar a Deus toda a iniciativa, permitir que Ele nos conduza por seus caminhos.
Predispondo nossa mente, vontade e coração para a oração, peçamos: “Senhor Jesus, dá-me um coração simples para compreender a riqueza de ensinamentos escondida em tua Palavra. Envia teu Espírito Santo para que eu não tenha medo de escutá-la e vivê-la conforme a tua vontade. Que a Palavra transforme o meu coração através da fé e confiança que eu deposito em ti. Amém.”

Leitura (Verdade)
É o momento de compreendermos o texto. O que ele diz? Leia com calma e silenciosamente o Evangelho. Depois, leia-o novamente em voz alta, repetindo as palavras que mais chamaram sua atenção. Quais personagens aparecem no texto? Onde eles se encontram?
Em uma primeira leitura, nossa atenção se volta aos destinatários da parábola: “Alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros” (Lc 18,9). Em seguida, temos a descrição do comportamento dos dois orantes. O fariseu descreve tudo o que faz, tem consciência de suas ações diante de Deus e não sente necessidade de pedir perdão, pois não se vê como pecador. O publicano, por sua vez, pertencente a uma classe tida como pecadora, reconhece sua condição de pecador, confessa sua miséria e confia na misericórdia de Deus, orando: “Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador!” (Lc 18,13). O pedido de perdão é a condição para a oração com humildade. Por fim, o maior pecador voltou para casa justificado, perdoado, e o outro não.

Meditação (Caminho)
O que o texto lhe diz? Que aspectos do mistério de Deus esta passagem possibilita conhecer? Qual palavra encontrou mais sintonia com a realidade que você está vivendo?
Toda oração começa com uma atitude muito simples do orante: apresentar sua vida a Deus. Na oração, devemos ser nós mesmos, sem esconder nada. Não precisamos temer a Deus pelo que somos. Ele nos conhece, sabe tudo o que vivemos e necessitamos.
Frei Patrício Sciadini, em seu “Catecismo da oração”, nos diz: “A oração não pode se limitar a determinados momentos, horas, períodos. O nosso ser orante é mais do que um ato, uma atitude. A oração é o respiro, é a vida. Nada mais fácil do que respirar e viver. […] Rezar hoje quer dizer transformar o nosso dia com sua monotonia num momento sacramental. É saber dar ao momento presente o valor do eterno.”

Oração (Vida)
Devemos e podemos orar a partir de qualquer situação de nossa vida. Basta que a ofereçamos a Deus. Deus não espera apenas o melhor de nós, mas nos espera com tudo. Faça sua oração e apresente tudo o que você vive ao Senhor. Reze também pelas intenções dos missionários.
Oração do Mês Missionário 2016: “Pai de misericórdia, que criaste o mundo e o confiaste aos seres humanos, guia-nos com teu Espírito para que, como Igreja missionária de Jesus, cuidemos da Casa Comum com responsabilidade. Maria, Mãe Protetora, inspira-nos nessa missão. Amém.”

Contemplação (Vida e Missão)
Como você pretende viver concretamente, durante este dia, os apelos que o Senhor despertou em seu coração?

Bênção
– Que Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
– Que Ele nos mostre a Sua face e se compadeça de nós. Amém.
– Que volte para nós o Seu olhar e nos dê a paz. Amém.
– Abençoe-nos, Deus misericordioso, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.

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