Jesus é preso e encadeado

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A primeira Semana Santa, pelo plano de Deus, foi a semana mais importante da vida de Jesus Cristo. Esta nossa semana santa, da mesma forma, deverá ser a semana mais importante da vida de cada um de nós.  Em tempos de pandemia do coronavirus esta Semana Santa deverá ser vivida em clima familiar, como Igreja Doméstica. Por isso mesmo, em sintonia com a Campanha da Fraternidade 2020, que tem como Tema: “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e como Lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”(Lc 10,33-34). Deve ser uma semana de oração e reflexão, da compreensão dos mistérios da paixão de Jesus Cristo, do conhecimento da mensagem de Deus para seu povo.

Devemos relembrar que toda a paixão de Cristo ocorre em Jerusalém e seus arredores. 

No tempo cronológico a Semana Santa foi  provavelmente no ano 30 d.C., durante a semana da páscoa dos judeus, entre o 9º e o 16º do mês judaico de Nisã (março/abril). Jerusalém lotada de peregrinos.

O contexto daquele momento com as condições políticas: a nação judaica estava sujeita a Roma. Seu governador era Pôncio Pilatos; os judeus eram legislados pelo sumo-sacerdote Caifás e pelo conselho dos 70 anciãos. Na Galiléia, região do norte da palestina, Herodes era o rei; 

Acontecimentos relevantes para a vivência da Semana Santa: Jesus de Nazaré, que por três anos pregou o Reino de Deus, operou milagres, e finalmente tinha sido proclamado o Filho de Deus, crescia em popularidade de tal forma que os sacerdotes judaicos viram nele séria ameaça a sua autoridade sobre o povo. A recente ressurreição de Lázaro fez com que muitas pessoas acreditassem em Jesus. Os líderes judaicos, sob a direção dos Sumos Sacerdotes e Doutores da Lei, haviam planejado matar Lázaro e Jesus por incitar motins, e então acabar com a revolta que pudesse estar surgindo. Entretanto, como nação sujeita, subjugada, não poderiam condenar ninguém à morte. Apenas o imperador romano possuía tal autoridade. Agora, com a páscoa dos judeus, havia uma deixa. Sob estas circunstâncias começa a Semana Santa.

SEGUNDA-FEIRA SANTA DA PRISÃO OU DO DEPÓSITO DO SENHOR JESUS:

“Eis, Senhor, dois caminhos muito opostos e contraditórios: o caminho da fidelidade e o caminho da traição: a fidelidade amorosa de Maria de Betânia, a traição horrível de Judas. Como quereria, ó Senhor, possuir para Vós um coração como o de Maria. Como quereria que em mim estivesse inteiramente morto e destruído o traidor!… Como tenho necessidade de vigiar e orar para que o inimigo não venha semear no meu coração o gérmen venenoso da traição! Fazei, Senhor, que eu Vos seja fiel, fiel a todo custo, fiel nas coisas grandes e pequenas, a fim de que as raposas dos pequenos apegos não possam invadir nem devastar a vinha do meu coração” (Intimidade Divina).

“Julgai, Senhor, os que me fazem mal, e combatei os que me injuriam. Tomai as armas e o escudo e correi em meu auxílio, Senhor, minha força e salvação. Arrancai a espada e investi contra os que  me perseguem; dizei à minha alma: eu sou a tua salvação – Julgai, Senhor”(cf. Sl 34,1-2).

Os eventos dos próximos 3 ou 4 dias não estão claramente divididos nos Evangelhos, mas o caminho é demonstrado pelas ações de Nosso Senhor na segunda-feira. Sua atividade neste período foi intensa. Não nos foi relatado todas as ações. Ele era protegido pelo povo nas suas disputas com as autoridades. Nosso Senhor viria a Jerusalém pela manhã, ficaria três dias ali, ensinando e discursando no Templo, à noite sairia da cidade, e se retiraria ao monte das Oliveiras (onde estavam Bethânia e Getsêmani). Vindo cedo à Jerusalém, Nosso Senhor encontrou uma figueira que tinha folhas mas não frutos – um símbolo do judaísmo, cuja religião possui muitas folhagens e práticas, mas sem espírito interior e sem frutos.

A Prisão de Jesus:

“Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos. 2. Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia frequentemente para lá com os seus discípulos. 3. Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas. 4. Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: “A quem buscais?”. 5. Responderam: “A Jesus de Nazaré.” – “Sou eu” – disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.) 6. Quando lhes disse “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. 7. Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: “A quem buscais?”. Disseram: “A Jesus de Nazaré”. 8. Replicou Jesus: “Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes”. 9. Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12). 10. Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.) 11. Mas Jesus disse a Pedro: “Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?”. 12. Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram. 13. Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. (= Mt 26,57-75 = Mc 14,53-72 = Lc 22,54-71) 14. Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: “Convém que um só homem morra em lugar do povo”.(cf. Jo 18,1-14)

Quem traiu Jesus?

Judas Iscariotes é quem traiu Jesus. Ele é um dos Doze: “Em todas as listas dos Doze é acrescentada ao seu nome a observação de que ele foi o traidor de Jesus (Mt 10, 4; Mc 3, 19; Lc 6, 16). João acrescenta que ele era um diabo – talvez aqui no sentido de ‘adversário’ ou ‘ informador’ (Jo 6, 71, mas cf. Jo 13, 27) – e um ladrão, atribuindo-lhe a infeliz e hipócrita objeção à unção de Jesus em Betânia (Jo 12, 4-6), ao passo que Mt 26, 8 e Mc 14, 4 atribuem a objeção aos ‘discípulos’ (Mt) e a ‘alguns’(Mc). Os evangelhos sinóticos registram a visita de Judas aos grão-sacerdotes e o acordo sobre a traição e o preço a ser pago (Mt 26, 14-16; Mc 14, 10s; Lc 22, 3-6). Entretanto, a soma de trinta moedas de prata só é mencionada por Mt, derivando provavelmente de Zc 11, 12” (Pe. John L. Mackenzie, S.J, Dicionário Bíblico).

O atrevimento e a ingratidão de Judas Iscariotes foram tão grandes, e seu coração já estava tão mergulhado nas trevas, que o mesmo tomou a frente, tornou-se o guia dos inimigos do Salvador: “…eis que chegou uma multidão. À frente estava o chamado Judas, um dos Doze…” (Lc 22, 47), e: “…Judas, que se tornou o guia daqueles que prenderam a Jesus” (At 1, 16).

Caros irmãos: grande foi a estupidez de Judas Iscariotes em trair o Amado Senhor. Ele viveu três anos na companhia do Salvador: andava, comia, rezava, ouviu inúmeras pregações do Mestre, porém, jogou tudo fora e acabou se condenando: “Judas se condenou, porque se atreveu a pecar confiando na clemência de Jesus Cristo” (São João Crisóstomo).

Hoje, infelizmente, milhões de pessoas seguem a ingratidão e a estupidez desse infeliz Apóstolo. Quantos católicos batizados e crismados abandonaram a Cristo Jesus para seguir o mundo, o demônio e a própria carne. Esses receberam graças e mais graças de Nosso Senhor, receberam também uma fiel e piedosa formação, mas a exemplo de Judas Iscariotes jogaram tudo fora, vivendo agora na lama do pecado: “Com efeito, se, depois de fugir às imundícies do mundo pelo conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, de novo são seduzidos e se deixam vencer por elas, o seu último estado se torna pior do que o primeiro. Assim, melhor lhes fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, após tê-lo conhecido, desviarem-se do santo mandamento que lhes foi confiado. Cumpriu-se neles a verdade do provérbio: O cão voltou ao seu próprio vômito, e: A porca lavada tornou a revolver-se na lama” (2 Pd 2, 20-22).

Infeliz do católico que abandona a amizade com Jesus para viver nas trevas, esse jamais entrará na Pátria Eterna: “O laço com que o demônio arrasta quase todos os cristãos que se condenam é, sem dúvida, esse engano com que os seduz, dizendo-lhes: ‘Pecai livremente, porque, apesar de todos os pecados, haveis de salvar-vos” (Santo Afonso Maria de Ligório, Preparação para a Morte, Consideração XVII, Ponto I). 

Judas Iscariotes viveu três anos ao lado de Cristo Jesus, e depois tornou-se o guia dos inimigos do Salvador, isto é, caminhou à frente daqueles que estavam prestes a prenderem Nosso Senhor.

Também existem milhões de ex-católicos, que antes adoravam Jesus Sacramentado, veneravam a Virgem Maria, defendiam o Papa, etc., e agora, encabeçam em muitas igrejolas o coro daqueles que caluniam sem cessar a Santa Igreja. Esses são os Judas de hoje!

A multidão encabeçada por Judas não vinha de mãos abanando, mas bem armada, até perece que Nosso Senhor era um grande malfeitor: “…grande multidão com espadas e paus” (Mt 26, 47).

Como já foi comentado, milhões de ex-católicos que receberam uma ótima formação dentro da Igreja, hoje, caminham furiosamente contra a Esposa de Nosso Senhor, a Igreja Católica; esses usam as “espadas” da língua e os “paus” da perseguição para tentarem destruir a Única Esposa de Cristo.

Existem também os Judas que vivem dentro da Igreja, de mitra e sem mitra; estes, com mentiras e hipocrisia nos lábios, perseguem continuamente a Cristo Jesus: “Aludimos, Veneráveis Irmãos, a muitos membros do laicato católico e também, coisa ainda mais para lastimar, a não poucos do clero que, fingindo amor à Igreja e sem nenhum sólido conhecimento de filosofia e teologia, mas, embebidos antes das teorias envenenadas dos inimigos da Igreja, blasonam, postergando todo o comedimento, de reformadores da mesma Igreja; e cerrando ousadamente fileiras se atiram sobre tudo o que há de mais santo na obra de Cristo, sem pouparem sequer a mesma pessoa do divino Redentor que, com audácia sacrílega, rebaixam à caveira de um puro e simples homem” (Pio X, Carta Encíclica “Pascendi Dominici Gregis”, Introdução), e: “Meus queridos amigos – neste momento, só posso dizer: orai por mim, para que eu possa aprender a amar o Senhor mais e mais. Orai por mim, para que eu possa aprender a amar Seu rebanho mais e mais – em outras palavras, a santa Igreja, cada um de vós e todos vós juntos. Orai por mim, para que eu possa não fugir com medo dos lobos” (Bento XVI, Sermão na Missa de entronização, 24 de abril de 2005, Praça de São Pedro).

Por que será que Judas, o traidor, se previne tanto para prender o Manso Cordeiro? Ele vivera com Ele por três anos e conhecia muito bem a mansidão do Senhor: “…aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29), e conhecia também os milagres que Cristo havia realizado: “Mas Judas já de nada se lembra, nada enxerga; esta é a primeira astúcia do Demônio para arrastar os pecadores, torna-os cegos para que nada vejam, em nada reparem. Como estamos vendo que os maiores pecadores, estando no fim da vida, ou por uma doença incurável, ou por uma idade avançada, já quase com os pés na sepultura, todavia desprezam todo o conselho, resistem à toda admoestação caridosa, e sempre se lisonjeando de irem dilatando a vida, morrem sem receber os Sacramentos e vão se apresentar ao Tribunal de Deus, sem terem reparado os escândalos” (Sacerdote da Congregação da Missão).

Em São João 18, 3-8 diz que Nosso Senhor saiu ao encontro de Judas e dos outros inimigos: “Judas, então, levando a coorte e guardas destacados pelos chefes dos sacerdotes e pelos fariseus, aí chega, com lanternas, archotes e armas. Sabendo Jesus tudo o que lhe aconteceria, adiantou-se e lhes disse: ‘A quem procurais?’ Responderam: ‘Jesus, o Nazareno’. Disse-lhes: ‘Sou eu’. Judas, que o estava traindo, estava também com eles. Quando Jesus lhes disse ‘ Sou eu’, recuaram e caíram por terra. ‘Perguntou-lhes, então, novamente: ‘A quem procurais?’ Disseram: ‘Jesus, o Nazareno’. Jesus respondeu: ‘Eu vos disse que sou eu…”

Nosso Senhor não se intimidou diante dos inimigos. Nem o número de soldados, nem as lanças, nem os paus assustaram a Cristo Jesus. Ele é o Senhor do céu e da terra, por isso, as serpentes  perecíveis não Lhe causaram medo.

Ele adiantou-se e lhes perguntou: “A quem procurais?” Os inimigos disseram que estavam à procura de Jesus. Ele disse-lhes: “Sou eu”. E todos caíram por terra.

Está claro que o Imaculado Cordeiro, porque quis, é que se entregou às mãos dos inimigos. O “Sou eu”, foi o bastante para que todos os inimigos caíssem tontos por terra, e assim, as serpentes sentiram o cheiro do pó: “Os perseguidores, que vinham com o traidor para prender Jesus, encontraram O que buscavam e ouviram-nO dizer Sou eu. Por que não O prenderam , mas retrocederam e caíram? Porque assim o quis quem podia fazer o que queria. Se não o tivesse permitido, nunca teriam realizado o intento de O prenderem, mas também Ele não teria cumprido a Sua missão. Eles buscavam com ódio O que queriam matar; Jesus, pelo contrário, buscava-nos com amor querendo morrer. E assim, depois de manifestar o Seu poder àqueles que sem poderem fazê-lo queriam prendê-lO, prendê-lo-ão e deste modo cumprirá o Seu desejo por meio daqueles que o ignoravam” (Santo Agostinho, In Ioann. Evang., 112, 3).

Nunca ninguém derrubara os inimigos somente com a voz como fez Nosso Senhor: Nem Alexandre, nem César com todo seu poder, nem Pompeu, nem Anibal com todas as suas astúcias, puderam jamais produzir efeitos semelhantes a este: Sou eu! E uma corte inteira, com os Escribas, Fariseus e com os anciãos do povo, todos se acharam de repente prostrados por terra. Verdade é que Sansão derrotou a mais de mil, foi porém não com uma palavra, mas com os esforços de seus braços, servindo-se da queixada de um jumento. Sangar derrotou a seiscentos, mas foi com o instrumento da sua lavoura. Igualmente Davi derrotou em um dia a oitocentos Filisteus, mas foi com o  poder de suas armas. Só pertencia a Jesus, só pertencia ao Unigênito Filho de Deus, só pertencia Àquele que com uma palavra criara o mundo, e com uma única palavra o teria podido destruir, mostrar nesta hora todo seu poder, prostrando assim a seus inimigos com as palavras: Sou eu!

Caro irmão, seja fiel a Nosso Senhor e viva de acordo com a Sua Santa Vontade. Não seja ingrato e não traia Aquele Senhor que cuida de ti continuamente. Lembre-se de que a vida passa e que existe um julgamento após a morte, e nesse terrível Dia, Cristo Jesus lhe dirá:Sou eu, a quem ofendestes  tantas vezes. Sou eu, contra quem vos tendes levantado. Sou eu, a quem tendes desprezado. Sou eu, sim, sou eu, que venho agora fazer justiça à minha Majestade infinita ofendida.

Nosso Senhor não se intimidou diante dos soldados, mas disse-lhes abertamente: “Sou eu… Eu vos disse que sou eu…” (Jo 18, 5. 8).

Sejamos também corajosos, não tenhamos medo de professar a nossa fé em Jesus Cristo, falemos a todos e abertamente que Ele é o Nosso Salvador, mesmo quando o ambiente é difícil: “Cada cristão deve dar testemunho – não só com o exemplo, mas também com a palavra – da mensagem evangélica. E para isso devemos aproveitar todas as oportunidades – sabendo também provocá-las prudentemente – que se apresentam no convívio com os nossos familiares, amigos, colegas de profissão, vizinhos; com pessoas com quem nos relacionamos, mesmo que seja por pouco tempo, durante uma viagem…” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal).

Quando formos interrogados se somos católicos, não nos recuemos nem nos intimidemos, mas falemos com convicção e coragem: “Estive, estou e estarei sempre com Cristo. Eis a minha fé, pela qual darei minha vida, se assim for preciso. Cortai, pois, batei, queimai; dou todos os membros do meu corpo, para confessar a meu Deus e Senhor” (São Teodoro, mártir, ao Juiz).

Em Mt 26, 48-49 diz: “O seu traidor dera-lhes um sinal, dizendo: ‘É aquele que eu beijar; prendei-o. E logo, aproximando-se de Jesus, disse: ‘Salve, Rabi!’ e o beijou”.

É lamentável a atitude de Judas Iscariotes, a sua frieza e maldade são espantosas; com certeza esse infeliz que recebeu tanto de Nosso Senhor não caiu de uma vez, mas foi escorregando aos poucos até mergulhar desgraçadamente na traição: “Uma casa não desaba por um movimento momentâneo. Na maioria dos casos, esse desastre é consequência de um antigo defeito de construção. Mas, por vezes, o que motiva a penetração da água é o prolongado desleixo dos moradores: a princípio, a água infiltra-se gota a gota e vai insensivelmente roendo o madeiramento e apodrecendo a armação; com o decorrer do tempo, o pequeno orifício vai ganhando proporções cada vez maiores, ocasionando fendas e desmoronamentos consideráveis; por fim, a chuva penetra na casa como um rio caudaloso” (Cassiano, Colações, 6).

Caros irmãos, examine diariamente a sua consciência com o termômetro da sinceridade, para saber se você está sendo fiel a Jesus Cristo. Muitos começam bem, mas com o passar do tempo vão se relaxando, cometendo pequenos erros, depois cometem grandes e já não se preocupam mais em corrigi-los, e assim, de erro em erro acabam por abandonar a Nosso Senhor: “Perseverar é responder positivamente às pequenas e constantes chamadas que o Senhor faz ao longo de uma vida, ainda que não faltem obstáculos e dificuldades…” (Pe. Francisco Fernández-Carvajal).

Judas Iscariotes é falso, mau e frio. Esse traidor saúda Jesus chamando-O de Mestre, beija-O e depois O entrega nas mãos dos inimigos: “A turba perversa e desenfreada, que nessa fatal noite procurava a Jesus no jardim das Oliveiras, devia naturalmente ser precedida, guiada pelo mais perverso, pelo mais infame dos homens; e como Caim na antiga lei se tornou detestável convidando o irmão a passeio para lhe tirar a vida, assim e muito mais detestável se tornou Judas entregando o filho de Deus à morte com um fingido beijo de amizade” (São Cipriano).

Prezados irmãos,

O Redentor, sabendo que Judas se aproximava, acompanhado dos Judeus e dos soldados, levanta-se, banhado ainda no suor da agonia mortal. Com o rosto pálido, mas com o coração todo abrasado em amor, vai-lhes ao encontro para se lhes entregar nas mãos, e vendo-os chegados perto, diz: Quem quaeritis? — “A quem buscais?” — Afigura-te, minha alma, que neste momento Jesus te pergunta também: Dize-me, a quem buscas? Ah, meu Senhor, a quem poderei buscar senão a Vós, que descestes do céu à terra para me buscar e não me ver perdido?

Comprehenderunt Iesum, et ligaverunt eum — “Eles prenderam a Jesus e o ligaram”. Ó céus, um Deus ligado! Que diríamos, se víssemos um rei preso e ligado pelos seus servos? E que dizemos agora vendo um Deus entregue às mãos da gentalha? Ó cordas bem-aventuradas! Vós que ligastes o meu Redentor, ah! Liga-me a Ele, mas liga-me de tal modo que nunca mais me possa separar de seu amor. — Considera, minha alma, como um lhe liga as mãos, outro o injuria, mais outro o empurra, e o Cordeiro inocente se deixa ligar e empurrar quanto quiserem. Não procura fugir das mãos deles, não chama por auxílio, não se queixa de tantas injúrias, nem mesmo pergunta por que é tratado assim. Eis, pois, realizada a profecia de Isaías: Oblatus est quia ipse voluit, et non aperuit os suum; sicut ovis ad occisionem ducetur (2) — “Foi oferecido, porque ele mesmo quis, e não abriu a sua boca; ele será levado como uma ovelha ao matadouro”.

Mas onde é que se acham os seus discípulos? Que fazem? Já não podendo livrá-Lo das mãos de seus inimigos, ao menos que o tivessem acompanhado para defenderem a inocência de Jesus perante os juízes, ou sequer para o consolarem com a sua presença! Mas não; o Evangelho diz: Tunc discipuli eius, relinquentes eum, omnes fugerunt (3) — “Então os seus discípulos desamparando-O, fugiram todos”. Qual não devia ser a tristeza de Jesus, vendo que até os seus discípulos queridos fugiam e O desamparavam? Mas, ó céus, então o Senhor viu ao mesmo tempo todas aquelas almas que, sendo por Ele mais favorecidas, haviam de abandoná-Lo depois e de Lhe virar as costas.

Ligado como um malfeitor, o nosso Salvador entra em Jerusalém, onde poucos dias antes fora aclamado com tantas honras e louvores. Passa a desoras pelas ruas, entre lanternas e tochas, e tão grande é o alarido e tumulto, que todos deviam pensar que se levava qualquer grande criminoso. A gente chega à janela e pergunta: quem é que foi preso? e respondem-lhe: Jesus, o Nazareno, que foi desmascarado como sendo um sedutor, um impostor, um falso profeta e réu de morte. — Quais não deviam ser então em todo o povo os sofrimentos de desprezo e indignação, quando viram Jesus Cristo, acolhido primeiro como o Messias, preso por ordem dos juízes, como impostor!

Ah! Como se trocou então a veneração em ódio, como se arrependeu cada um de O ter honrado, envergonhando-se de ter honrado um malfeitor, como se fosse o Messias! — Eis, pois, a que estado se reduziu o Filho de Deus para nos mostrar o nada das honras e dos aplausos do mundo! E como é que eu, apesar de ver um Deus tão humilhado e injuriado por meu amor, como é que eu hei de viver tão amante dos bens fugazes da terra, ambicionar as honras, as dignidades, as preeminências, e não saber sofrer o mínimo desprezo? Ai de mim, pecador e soberbo!

Donde, ó meu Senhor, me pode vir tamanho orgulho, depois que mereci tantas vezes o inferno? Meu Jesus, suplico-Vos pelos merecimentos dos desprezos que sofrestes, dai-me a graça de Vos imitar. Proponho com o vosso auxílio reprimir de hoje em diante todo o ressentimento e receber com paciência, alegria e contentamento todas as humilhações, todas as injúrias e todas as afrontas que me possam ser feitas. Proponho, além disso, para Vos agradar, fazer todo bem possível a quem me despreza; ao menos falarei sempre bem dele e rogarei por ele. Vós, ó meu Senhor, pelas dores de Maria Santíssima, fortalecei estes meus propósitos e dai-me a graça de Vos ser fiel.

Prezados irmãos,

Não se faça a minha vontade…  São tantas as cenas em que Cristo fala com seu Pai, que se torna impossível determo-nos em todas. Mas penso que não podemos deixar de considerar as horas, tão intensas, que precedem a sua Paixão e Morte, quando se prepara para consumar o Sacrifício que nos devolverá ao Amor divino. Na intimidade do Cenáculo, seu coração transborda: dirige-se suplicante ao Pai, anuncia a vinda do Espírito Santo, anima os seus íntimos a manterem um contínuo fervor de caridade e de fé. Esse inflamado recolhimento do Redentor continua em Getsêmani, ao perceber a iminência da Paixão, com as humilhações e as dores que se aproximam, essa Cruz dura em que se suspendem os malfeitores, e que Ele desejou ardentemente. Pai, se é possível, afasta de mim este cálice. E logo a seguir: Não se faça, porém, a minha vontade, mas a tua.

Se formos conscientes de que somos filhos de Deus, de que a nossa vocação cristã exige seguir os passos do Mestre, a contemplação da sua oração e agonia no horto das Oliveiras deve levar-nos ao diálogo com Deus Pai. “Ao orar, Jesus já nos ensina a orar”[14]; e além de ser o nosso modelo, convoca-nos à oração, tal como a Pedro, Tiago e João, quando os levou consigo e lhes pediu que vigiassem com Ele: Orai, para não entrardes em tentação. – E Pedro adormeceu. – E os demais Apóstolos. – E adormeceste tu, meu pequeno amigo, e eu fui também outro Pedro dorminhoco.

O Papa Bento XVI, em uma audiência que dedicou à oração de Jesus em Getsêmani, referia-se à capacidade que os cristãos têm, quando procuram uma intimidade cada vez maior com Deus, de trazer para esta terra uma antecipação do céu: “cada dia na oração do Pai-Nosso nós pedimos ao Senhor: ‘Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu’ (Mt 6, 10). Isto é, reconhecemos que há uma vontade de Deus conosco e para nós, uma vontade de Deus sobre a nossa vida, que deve tornar-se cada dia mais a referência da nossa vontade e do nosso ser; além disso, reconhecemos que é no ‘céu’ que se cumpre a vontade de Deus, e que a ‘terra’ só se torna ‘céu’, lugar da presença do amor, da bondade, da verdade e da beleza divina, se nela se cumprir a vontade de Deus. Na prece de Jesus ao Pai, naquela noite terrível e admirável do Getsêmani, a ‘terra’ tornou-se ‘céu’; a ‘terra’ da sua vontade humana, abalada pelo pavor e pela angústia, foi assumida pela sua vontade divina, de maneira que a vontade de Deus se cumpriu sobre a terra. E isto é importante inclusive na nossa oração: devemos aprender a confiar-nos mais à Providência divina, pedir a Deus a força para sairmos de nós mesmos e renovarmos o nosso ‘sim’, para lhe repetirmos: ‘Seja feita a vossa vontade’, para conformarmos a nossa vontade com a sua”.

Jesus, só e triste, sofria e empapava a terra com o seu sangue. De joelhos sobre a terra dura, persevera em oração… Chora por ti… e por mim: esmaga-O o peso dos pecados dos homens.

Dirige-te a Nossa Senhora e pede-lhe que te faça a dádiva – prova do seu carinho por ti – da contrição, da compunção pelos teus pecados, e pelos pecados de todos os homens e mulheres de todos os tempos, com dor de Amor. E, com essa disposição, atreve-te a acrescentar: – Mãe, Vida, Esperança minha, guiai-me com a vossa mão…, e se há agora em mim alguma coisa que desagrade a meu Pai-Deus, concedei-me que o perceba e que, os dois juntos, a arranquemos. Continua sem medo: – Ó clementíssima, ó piedosa, ó doce Virgem Santa Maria!, rogai por mim, para que, cumprindo a amabilíssima Vontade do vosso Filho, seja digno de alcançar e gozar das promessas de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Caros irmãos:

“Ó amor! Ó amor divino! Só vós pudestes ligar um Deus e conduzi-Lo a morte por amor dos homens!” E apesar disso, estes mesmos homens lhe são ingratos e o ofendem.

O Divino Redentor quis sujeitar-se a ignominia de ser encadeado, para nos merecer a graça de sacudirmos as cadeias que nos prendem ao pecado, e que se chamam as más ocasiões. Se estas cadeias não forem quebradas de uma só vez, nunca serão quebradas. Quantos há que estão agora ardendo no inferno, por terem dito: Amanhã, amanhã! Não vale dizer que até hoje não houve nada de mal; porque é pouco a pouco que o demônio leva as almas incautas até a borda do precipício, e então basta o choque mais leve para as fazer cair. É uma máxima comum dos mestres da vida espiritual, que, especialmente em se tratando da impureza, não há outro meio senão a fuga das ocasiões e o rompimento de todo o afeto.

Meu irmão, se por desgraça estiveres preso por alguma daqueles cadeias de morte, escuta o que te diz Jesus Cristo: Solve vincula colli tui, captiva filia Sion – “Desata as cadeias o teu pescoço, cativa filha de Sião” . Pobre alma, rompe os laços que te prendem ao inferno, chega-te a mim, e permite que, partilhando contigo as minhas cadeias, te obrigue a amar-Vos sempre.

Rezemos, neste dia: “Ó meu mansíssimo Jesus! Vendo-Vos encadeado por meu amor, que posso eu temer, já que estais de certo modo impossibilitado de levantar o braço para me ferir? Não quereis castigar-me, contanto que eu me resolva a sacudir o jugo das minhas paixões e unir-me a Vós. Sim, meu Senhor, quero recuperar a minha liberdade; e pesa-me sobre todas as coisas ter outrora abusado da minha liberdade e de Vos ter ofendido. Vós Vos deixas-te ligar por meu amor, e eu quero ser ligado pelo vosso amor. Ó felizes cadeias, ó formosas ligaduras de salvação, que unis as almas ao Coração de Jesus: Apoderai-vos do meu pobre coração e liga-o de tal modo, que nunca mais se possa separar desse amantíssimo Coração – Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe, Maria, pela dor que sentistes em ver vosso Jesus, amarrado como um malfeitor, obtende-me a santa perseverança.

Padre Wagner Augusto Portugal.